E de repente ela chegou. Começou com batidas leves na porta, mas
suficientes para que sua presença fosse notada. Chegou com cheiros suaves, mas
suficientes para fazê-la familiar. Chegou intensa mas calma, cheia de sorrisos
frios e distantes, entretanto entorpecentes... Chegou sozinha, mas ao mesmo
tempo acompanhada de outra senhorita já conhecida e juntas fizeram da minha
porta, um instrumento de percussão. As batidas eram tão fortes, que fora
impossível ignora-las. Ousadas e cheia de lembranças, a saudade e a dor
cansaram de manter a boa educação e foram entrando... Adentraram todos os
cômodos, sentaram, observaram, e preencheram o vazio que vez ou outra
encontravam. Em contrapartida, o que estava possivelmente preenchido, elas
tiravam facilmente e preenchiam com a verdade. Ou com uma jarra de lágrimas.
Finalmente, cheias de audácia, me
acharam. Olharam-me, como quem olha uma presa. Olharam-me como quem olha uma
animal doente. Olharam-me como se me conhecessem... E simplesmente fizeram
morada ali, como se fossem de casa. E assim o eram... Companhias constantes e
seus maiores prazeres eram conversar sobre como eu tento me esconder ou me
enganar. Como tento fugir da presença delas, me preenchendo com coisa
supérfluas, que nunca vão me fazer esquecê-la. Nem seus toques suaves. Nem sua
presença notável. Nem seu perfume marcante... Nem sua familiaridade, ainda
mais: minha mania de fazê-la minha... sem tê-la.
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