E de repente ela chegou. Começou com batidas leves na porta, mas
suficientes para que sua presença fosse notada. Chegou com cheiros suaves, mas
suficientes para fazê-la familiar. Chegou intensa mas calma, cheia de sorrisos
frios e distantes, entretanto entorpecentes... Chegou sozinha, mas ao mesmo
tempo acompanhada de outra senhorita já conhecida e juntas fizeram da minha
porta, um instrumento de percussão. As batidas eram tão fortes, que fora
impossível ignora-las. Ousadas e cheia de lembranças, a saudade e a dor
cansaram de manter a boa educação e foram entrando... Adentraram todos os
cômodos, sentaram, observaram, e preencheram o vazio que vez ou outra
encontravam. Em contrapartida, o que estava possivelmente preenchido, elas
tiravam facilmente e preenchiam com a verdade. Ou com uma jarra de lágrimas.
Finalmente, cheias de audácia, me
acharam. Olharam-me, como quem olha uma presa. Olharam-me como quem olha uma
animal doente. Olharam-me como se me conhecessem... E simplesmente fizeram
morada ali, como se fossem de casa. E assim o eram... Companhias constantes e
seus maiores prazeres eram conversar sobre como eu tento me esconder ou me
enganar. Como tento fugir da presença delas, me preenchendo com coisa
supérfluas, que nunca vão me fazer esquecê-la. Nem seus toques suaves. Nem sua
presença notável. Nem seu perfume marcante... Nem sua familiaridade, ainda
mais: minha mania de fazê-la minha... sem tê-la.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Fuga
Voe antes que eu te prenda.
Voe antes que te impeça, a vontade de ficar...
Corra antes que meu amor te cerque, te abrace, te proteja.
Nade, antes que eu te afogue...
Resista, antes que eu te embriague.
Se desvencilhe, antes que eu te faça meu.
Um concerto, desconcertado eu tenho sido;
Voe antes que te impeça, a vontade de ficar...
Corra antes que meu amor te cerque, te abrace, te proteja.
Nade, antes que eu te afogue...
Resista, antes que eu te embriague.
Se desvencilhe, antes que eu te faça meu.
Um concerto, desconcertado eu tenho sido;
Desde que botei os olhos em você...
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Sim só que não.
Eu ando reclamando demais da vida eu sei. Provavelmente muitas pessoas surgirão do nada me falando que tem tanta gente lutando pra sobreviver nesse mundo cruel e cheio de pragas de doenças, e eu vivinha da silva, cheia de saúde reclamando da minha. Ok podem até estarem certas, mas uma coisa posso falar com certeza e propriedade: minha vida tá melhor que a de muita gente. Por exemplo, eu poderia ser ex-atual-bbb. Eu poderia ser a Maroca por exemplo. Poderia ter a voz daquela mulher, e poderia conviver com o Dhomini e o Bambam. Mas não, não sou ex-atual-bbb, e não tenho a voz da Maroca. Obrigada vida, por essa graça! Mas acima de tudo poderia, ser depende de drogas, e morar na rua. Sério, poderia mesmo, mas não sou. Ainda com as minhas dificuldades, minha vida ta um pouco menos pior que dessas pessoas citadas ali em cima. Sou muito mais ser Daniely. Só que não.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Oposições
Luz e escuro
Som e silêncio...
Sorrisos e lágrimas...
Olhos e ouvidos...
A arte da oposição, da contraposição.
O modo como tudo que é diferente, se completa;
Se encaixa ou se molda!
Belo é contemplar as diferenças a sua volta!
E notar como tudo de repente... é tão igual...
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